Cantar o Salmo

Cantai com a voz, cantai com o coração, cantai com os lábios, cantai com a vida: Cantai ao Senhor Deus um canto novo. Queres saber o que cantar, a respeito daquele a quem amas? Sem dúvida, é acerca daquele a quem amas que desejas cantar. Queres saber então que louvores cantar? Já o ouviste: Cantai ao Senhor Deus um canto novo. Que louvores? Seu louvor na assembléia dos fiéis. O louvor de quem canta é o próprio cantor.
Quereis cantar louvores a Deus? Sede vós mesmos o canto que ides cantar. Vós sereis o seu maior louvor, se viverdes santamente (Santo Agostinho)

Antes de falarmos do ministério do(a) salmista como tal, faz-se necessário levar em consideração o valor que os salmos têm na liturgia cristã.

Além da Liturgia das Horas – que na sua grande parte é constituída de salmos – o canto dos salmos nas demais celebrações litúrgicas tem sido cada vez mais valorizado. Afinal de contas, os salmos são uma fonte inesgotável de espiritualidade que herdamos da tradição judaica.

O salmo responsorial ou ‘salmo de resposta’ “é parte integrante da liturgia da palavra”. É, na realidade, uma leitura cantada. Uma “leitura” distinta das demais proclamadas na liturgia, pois sua estrutura literária é essencialmente lírica e poética. Conseqüentemente, cabe ao(à) salmista, mais do que cantar, “proclamar” o salmo na estante da Palavra, pois aqui é o lugar onde Deus dirige sua Palavra ao povo reunido. Não devemos cantar o salmo no local do grupo de canto, mas sim do Ambão ( mesa da palavra).

Uma vez que o salmo responsorial constitui uma resposta da assembléia (com a própria Palavra de Deus), é fundamental uma perfeita sintonia entre o(a) salmista e a assembléia. Esta sintonia pressupõe uma atitude espiritual (integração do corpo-mente-coração) de quem canta o salmo para que seu conteúdo atinja a todos de forma plena e frutuosa.


Um ministério que requer formação...

Mais do que nunca o ministério de salmista requer uma formação técnica e litúrgico-musical adequada. Para este item, lançaremos mão do que diz a liturgista Ione Buyst, em seu livro: O ministério de leitores e salmistas sobre a importância da preparação e formação dos salmistas. Eis os principais aspectos desta formação:

• Uma formação bíblico-litúrgica: aprofundar o sentido literal e cristológico dos salmos; estudar cada salmo em sua relação com a primeira leitura e com o projeto de salvação de Deus.
• Uma formação espiritual: saber orar com o salmo, saboreá-lo como Palavra de Deus para nossa vida atual; saber cantar de forma orante.
• Uma formação musical: saber usar a voz de forma adequada, com boa dicção; se for o caso, até saber ler uma partitura simples; aprender as melodias dos salmos de resposta; saber se entrosar com os instrumentos musicais que eventualmente acompanham o canto do salmo.
• Uma formação prática: saber manusear o Lecionário e o “Hinário Litúrgico”; saber em que momento subir à estante, como se comunicar com a assembléia, como usar o microfone..; conhecer os vários modos de se cantar o salmo...

MÉTODO DA LEITURA ORANTE PARA O SALMO RESPOSORIAL


Antes da leitura, é importante a gente se recolher, pedir humildemente a ajuda do Espírito Santo.
A leitura orante supõe participação na comunidade e nos trabalhos (missão) que ela faz dentro e fora da Igreja.



1º passo: Ler


• Ler e reler o texto (salmo responsorial), baixinho e em voz alta, escutar o texto (alguém está falando!).
• Prestar atenção a cada palavra, às idéias, às imagens, ao ritmo, à melodia...
• Tentar entender o texto (no contexto em que foi escrito).
• Se for possível, recorrer também a um bom comentário de um biblista.

2º passo : Meditar

• Repetir o texto ( ou parte dele) com a boca, a mente e o coração: não “engolir” logo o texto, e sim, “mastigar”, “ruminar”, tirando dele todo o seu sabor; não ficar só com as idéias que contém, mas deixar as próprias palavras mostrarem a sua força: aprender de cor (= de coração!) pelo menos uma parte do texto.
• Penetrar dentro do texto, interiorizá-lo; compreender, interpretá-lo a partir de nossa realidade; identificar-nos com ele: perceber como o texto expressa nossas próprias experiências, sentimentos e pensamentos. Principalmente no caso dos salmos, estas experiências podem ser entendidas também como se referindo a Jesus Cristo.
Trata-se de atualizar o texto: perceber como o texto acontece hoje, em nossa realidade pessoal, comunitária e social; perceber qual a palavra que o senhor poderá está nos dizendo...

3º passo: Orar

• Deixar brotar de dentro do coração, tocado pela Palavra, uma resposta ao Senhor. Dependendo da leitura e da meditação feitas, poderá ser uma resposta de admiração, louvor, agradecimento, pedido de perdão, compromisso, clamor, pedido, intercessão...



4º passo: Contemplar


• A Bíblia não usa o verbo contemplar, e, sim, escutar, conhecer, ver. Trata-se de saborear, “curtir” a presença de Deus, o jeito de ele ser e agir, o quanto ele é bom e o quanto faz para nós. Supõe uma entrega total na fé. Passa, necessariamente, pelo conhecimento de Jesus Cristo (“Quem me vê, vê o Pai!”), que se encontra do lado dos pobres.



MINISTÉRIO DO SALMISTA

INTRODUÇÃO

No primeiro livro desta coleção, A Palavra de Deus na liturgia, falamos sobre a importância desta Palavra como realidade sacramental. Lembramos como o Senhor tem uma Palavra viva, atual, transformadora, para cada comunidade celebrante e para cada um(a) dos participantes. Lembramos que Jesus Cristo é o centro da liturgia da Palavra e que ele nos fala por seu Espírito em cada celebração e nos envia como testemunhas dele. Falamos ainda das várias partes da liturgia da Palavra e como podemos realizá-las.
O presente livro, que é o número 2, supõe que você já tenha lido o anterior. Haverá um terceiro, falando sobre a homilia, que também diz respeito à Palavra de Deus na liturgia. Os três textos formam, portanto, um conjunto.
De que vamos tratar agora? Como bem diz o título, do ministério de leitores e salmistas: quem pode assumir este ministério, em que consiste este serviço, onde encontrar e como preparar e proclamar uma leitura e um salmo, como proclamar um evangelho ... Quando falarmos de leitores e salmistas estaremos nos referindo sempre a homens e mulheres que assumem este serviço na comunidade. 
Neste segundo livrinho, estaremos aproveitando alguns artigos publicados na Revista de Liturgia. Estamos escrevendo para comunidades pertencentes à Igreja Católica Romana, mas certamente outras Igrejas se reconhecerão neste pequeno escrito, feito em perspectiva ecumênica. Da mesma forma, também comunidades católicas poderão aprender com estudos feitos em outras Igrejas cristãs. Na Igreja Católica, os seguintes documentos são uma referência importante para o serviço de leitores e salmistas:

SC = Sacrosanctum Concilium: a constituição conciliar (Concílio Vaticano 11, 1964) sobre a Sagrada Liturgia. O texto pode ser encontra¬do no Compêndio: Vaticano H mensagens, discursos, documentos. São Paulo, Paulinas, 1998.

IGMR = Introdução Geral ao Missal Romano. O tex¬to encontra-se no início do Missal Romano.

IELM = Introdução ao Elenco das Leituras da Missa.

Para citar as Sagradas Escrituras, usamos a tradução da Bíblia Sagrada Edição Pastoral, Paulus, São Paulo, com algumas pequenas alterações. A numeração dos salmos segue sempre a Bíblia hebraica, como se faz na maioria das bíblias hoje em dia. (Os lecionários costumam seguir a numeração da tradução grega da Bíblia.)
Sugerimos o estudo do texto em comunidade ou na reunião da equipe de liturgia, completado com a leitura individual. Sempre que possível, abram a Bíblia, leiam, analisem e medi-tem as passagens indicadas. Analisem a prática litúrgica de vocês, aproveitando as perguntas ao longo do texto.


O ministério dos salmistas

Quase tudo aquilo que falamos do ministério de leitores vale igualmente para salmistas, porque o salmo de resposta é uma leitura cantada. Aqui apenas complementaremos o que é específico do salmo e do ministério dos salmistas.
13. O que é um salmo?

Salmo é um cântico executado ao som do saltério, um instrumento musical de cordas, parecido, digamos, com o nos¬so violão. Na Bíblia encontramos um livro, chamado "Saltério" ou "Louvores", com 150 salmos. Há outros salmos ou cânticos bíblicos espalhados ao longo dos outros livros da Bíblia.
Ao longo de toda a sua história, o povo de Deus foi expressando sua fé e sua vida cantando, suplicando e agradecendo ao Senhor Deus. Os salmos quase sempre partem da situação difícil da vida e da história dos pobres: doença, sofri¬mento, desprezo, perseguição, ataques do inimigo, expulsão da terra, exílio, prisão, morte ...
Mas sempre terminam louvando e agradecendo ao Senhor por sua presença, por sua aliança, sua solidariedade, sua proteção ...
Muitas vezes escritos na primeira pessoa (eu), foram assumidos na liturgia do povo judeu como sendo uma expressão comunitária. É todo o povo que, a uma só voz e um só coração, como esposa do Senhor, expressa diante dele sua fé, sua adesão à lei do Senhor, à Palavra do Senhor. Assim, o povo judeu nos deixou uma herança riquíssima, de teor espiritual incalculável. Gerações e gerações alimentaram e continuam alimentando sua fé orando e cantando salmos.
2. Os salmos nas comunidades cristãs
As comunidades cristãs foram entendendo os salmos como profecias de Jesus, o Cristo. Orientadas pelo Espírito Santo, foram reinterpretando os salmos a partir dos acontecimentos da morte-ressurreição de Jesus e também a partir de sua própria vida e missão, enquanto comunidades cristãs.
Leiam, por exemplo, Atos 4,23-31. Vejam como a comunidade ouve o relato da prisão de Pedro e João e do interrogatório deles no sinédrio. Vejam como, de repente, interpretam este fato a partir do Salmo 2: "Os reis da terra se insurgem e os príncipes conspiram unidos contra o Senhor e contra o seu Messias. Foi o que aconteceu nesta cidade: Herodes e Pôncio Pilatos se uniram com os pagãos e os povos de Israel contra Jesus, teu santo servo, a quem ungiste ... ". Portanto, temos aí três coisas relacionadas: os fatos da vida, os salmos, o Espírito Santo que aponta para Jesus, o Cristo.

Em Lucas 24,44-48 Jesus diz: " ... é preciso que se cum¬pra tudo o que está escrito a meu respeito na lei de Moisés, nos profetas e nos salmos. "
Muitas outras passagens do Novo Testamento confirmam esta prática.

Comparem, por exemplo:

Mateus 21,42 (Salmo 118,22-23); Mateus 23,39 (Salmo 118,26)
Mateus 26,23 eJo 13,18 (Salmo 41,10); Mateus 27,45-46 (Salmo 22,2);
João 2,17 (Salmo 69,10);
João 15,25 (Salmo 35,19)
João 19,28-29 (Salmo 69,22);
Atos 2,24-28 (Salmo 16,8-11);
Atos 2,32-36 (Salmo 110,1);
Hebreus 10,5 (Salmo 40,7-9).

Se quisermos orar com os salmos hoje, teremos de se¬guir o mesmo "método" das primeiras comunidades.

3. O salmo de resposta na liturgia da Palavra
Os salmos ocupam um espaço bastante significativo na liturgia cristã. Antes de tudo, são o elemento principal na Liturgia das Horas (ofício divino), juntamente com os cantos bíblicos do Antigo e Novo Testamento. Na celebração dos sacramentos e sacramentais estão previstos como cantos processionais (entrada, oferendas, comunhão e outros) e ainda ... como Salmo responsorial, também chamado de "Salmo de resposta”
O salmo de resposta foi reintroduzido pelo Concílio Vaticano 11, depois de 13 séculos de desaparecimento. Recuperou seu espaço como canto após a primeira leitura da liturgia da Palavra. É resposta em dois sentidos:
• porque o povo responde com um refrão aos versos can¬tados pelo salmista;
• porque o salmo é escolhido de acordo com a primeira leitura e de alguma maneira responde a esta.
É parte integrante da liturgia da Palavra, tem valor de leitura bíblica. Por isso, o salmo de cada dia vem indicado no elenco de leituras e vem impresso no Lecionário. Portanto, não deve ser substituído por outro canto. Todos temos o direito de usufruir desta importante herança deixada pela tradição do povo judeu e das primeiras comunidades cristãs.
O salmo de resposta consiste em um salmo com um refrão, quase sempre tirado do próprio salmo. Nem sempre é de "meditação": às vezes é de louvor, de súplica, de lamentação etc. Algumas vezes o salmo vem substituído por um cântico bíblico. Embora o Lecionário faça uma escolha de alguns versos do salmo, parece melhor ouvir o salmo por inteiro, conforme a mais antiga tradição.
Os salmos na liturgia participam da função memorial de toda a liturgia. Fazem parte da ação ritual, objetiva, que expressa e faz acontecer a salvação. São revelação, profecia de Cristo, do Espírito Santo, da Igreja, do Reino, celebração do mistério pascal. São pedagógicos (ensinam-nos a rezar) e mistagógicos (introduzem-nos no mistério); operam a trans¬formação pascal.
Mas isto supõe de nossa parte um "trabalho": devemos ouvir e cantar prestando atenção à letra e à música, relacionando o salmo com as leituras ouvidas e com a nossa vida pessoal e social. Devemos "entrar" no salmo com todo o nosso ser, com toda a nossa realidade. Sou eu que clamo ao Senhor ... Ao mesmo tempo, este eu está ligado ao eu da comunidade como um todo e até de toda a humanidade, e ao "eu" de Jesus Cristo. Santo Agostinho nos diz que Cristo é o cantor dos salmos e nos convida a deixar o Cristo (com seu Espírito) cantar em nós.

4. Onde encontramos o salmo de resposta?
O texto do salmo, com o refrão e os versos escolhidos de acordo com a primeira leitura, encontram-se no Lecionário.
Nas páginas finais de cada volume do "Hinário Litúrgico" da CNBB, encontramos quadros com a referência do salmo de cada celebração e a indicação das páginas onde podemos encontrar partituras. Há CO's acompanhando cada volume do Hinário. Nada impede que sejam usadas outras melodias para o salmo indicado no Lecionário, contanto que se conserve este princípio: quem canta o salmo é o salmista; o povo ouve e responde com o refrão.


5. O problema da numeração dos salmos

Várias vezes já nos referimos a duas maneiras diferentes de numerar os salmos: a da Bíblia hebraica e a da tradução grega da Bíblia. Em que consiste esta diferença, de onde vem e como lidar com ela na prática?
A confusão em torno da numeração dos salmos já vem de longe, da tradução grega, feita em torno do ano 250 antes de Cristo. Quando o tradutor chegou no Salmo 10, pensou que fosse a continuação do Salmo 9 e traduziu os dois como se fossem um salmo só. Assim o salmo que na Bíblia hebraica era Salmo 11, começou a ser Salmo l na tradução grega. Por isso, a numeração hebraica tem um número na frente da numeração grega. Como esta, há várias outras alterações na numeração dos salmos. Eis o esquema das diferenças:

Bíblia hebraica: 1-8 9 - 10 11 - 113 114-115 116 117 - 146 147 148 - 150

Tradução grega: 1-8 9 10 - 112 113 114 - 115 116 - 145 146 - 147 148 - 150

Assim, exemplificando: o salmo O Senhor é meu pastor é o n. 23 na Bíblia hebraica e o n. 22 na tradução grega. Se quiser conferir qual é a numeração usada em sua Bíblia, verifique a numeração deste Salmo tão conhecido. A maioria das bíblias e outras publicações costumam colocar o outro número entre parêntesis: salmo 23(22) ou Salmo 22(23). Todo cuidado é pouco. Principalmente porque os Lecionários da Igreja Católica continuam usando a numeração da tradução grega da Bíblia.


6. Os salmos no Lecionário Dominical

Por ser a celebração dominical a mais importante de todas, reproduzimos aqui em forma de esquema a indicação dos salmos de cada domingo, nos três anos do Lecionário: A, B e C. A numeração seguida é a da Bíblia hebraica, como na maioria das bíblias atuais, no Hinário Litúrgico da CNBB e no Ofício Divino das Comunidades:


7. Os Salmistas

Já que salmo de resposta é como uma leitura cantada, o salmista pode ser considerado um cantor-leitor, ou cantora leitora. Salmodiar é uma arte; precisamos aproveitar os dons que Deus deu a certas pessoas. É também um ofício que se aprende; daí a necessidade de uma boa preparação e formação. Que tipo de formação?

• Uma formação bíblico-litúrgica: aprofundar o sentido literal e cristológico dos salmos; estudar cada sal¬mo em sua relação com a primeira leitura e com o projeto de salvação de Deus.

• Uma formação espiritual: saber orar com o salmo, saboreá-lo como Palavra de Deus para nossa vida atual; saber cantar de forma orante.

• Uma formação musical: saber usar a voz de forma adequada, com boa dicção; se for o caso, até saber ler uma partitura simples; aprender as melodias dos salmos de resposta; saber se entrosar com os instrumentos musicais que eventualmente acompanham o canto do salmo.

• Uma formação prática: saber manusear o Lecionário e o 'Hinário litúrgico"; saber em que momento subir à estante, como se comunicar com a assembléia, como usar o microfone ... ; conhecer os vários modos possíveis de se cantar o salmo ...


8. Como cantar o salmo?

"Cabe ao salmista ou cantor do salmo cantar de forma responsorial ou direta o salmo ou outro cântico bíblico, o gradual (isto é, o salmo responsorial) e o 'aleluià, ou outro cântico entre as leituras. Ele mesmo pode iniciar o 'aleluià e o versículo, se parecer conveniente" (IELM, n. 56). "Forma direta' quer dizer: o salmista canta ou recita o salmo sozinho sem intervenção da comunidade. "Forma responsorial" é a forma mais comum entre nós, quando o salmista canta os versos e a comunidade intervém com o refrão.
O salmo é cantado da estante da Palavra, como as outras leituras bíblicas. Como na proclamação das outras passagens bíblicas, é fundamental a comunicação com a comunidade, não só através da voz, mas ainda através da postura e da expressão do rosto, que deverão transmitir o sentido orante do salmo.
Se for preciso alguém orientar o canto do refrão, que não seja o salmista, e sim, o dirigente do coro ou o animador do canto do povo. Cada qual fique com sua função e somente com a sua.

Geralmente, o canto do salmo vem acompanhado de instrumentos musicais, embora isto não seja necessário. Inclusive vale lembrar que, principalmente no salmo e nos cânticos bíblicos, os instrumentos deverão ser muito discretos. O que deve ser ouvida é a voz do salmista proclamando o texto sagrado. Os instrumentos deverão apenas apoiar, acompanhar discretamente, sem se sobrepor ao canto, sem impor seu ritmo, principalmente durante os versos cantados pelo(s) salmista(s).
Por causa de seu caráter de leitura cantada, a melodia para os versos do salmo deverá ser de preferência bastante simples, tipo recitativo. Embora não se exclua outra forma musical, já conhecida do povo, como por exemplo, as melodias do Oficio Divino das Comunidades. No entanto, se forem usadas como salmo responsorial, este será cantado por solista ou solistas; por exemplo, uma voz masculina e outra feminina, alternando.
O salmo poderá ser introduzido pelo animador da celebração, o qual poderá fazer uma breve motivação, preparando nosso coração para responder ao Senhor, ligando o salmo com nossa vida e com a leitura proclamada.

Na seqüência, teremos, portanto:

• Primeira leitura. Breve silêncio.
• Motivação por parte do animador ou animadora.
•Refrão cantado pelo salmista, repetido pela comunidade, com ou sem acompanhamento de instrumentos.
• Versos do salmo cantados pelo(s) salmista(s), com a comunidade alternando com o refrão, com ou sem acompanhamennto de instrumentos.


PERGUNTAS PARA REFLEXÃO

1) Nossa comunidade tem levado a sério o salmo responsorial, principalmente nas celebrações de domingo?
2) Este salmo tem sido alimento para sua fé? Ou é apenas uma formalidade?
3) O que se tem feito para os participantes da comunidade aprenderem a cantar e rezar com os salmos?
4) Os salmos têm sido comentados na homilia alguma vez?

12 comentários:

Claudiana Bezerra disse...

Qual a idade ideal para começar a cantar salmo?

Contato: Rogério Bucci disse...

Olá Claudia! Paz!

Não há uma idade ideal, mas sim a pessoa tem que ser afinada e participara de uma formação para saber sobre o salmo, como canta-lo, isto que é importante.
Espero ter ajudado um pouco sobre sua dúvida.
Abraço!

Raniele Lima disse...

Adorei o conteudo, aprendi muito !
Ja faz tempo que eu canto o Salmo na minha comunidade, mas so o refrao, tem algum problema ?

Contato: Rogério Bucci disse...

Paz!

Raniele, o ideal é que se cante o salmo todo, o salmista canta as estrofes e a assembleia canta o refrão, mas quando não é possível pode-se proclamar as estrofes mas a assembleia cante o refrão. O refrão do salmo é próprio da assembleia, é a resposta da assembleia as leituras proclamadas. O salmista não deve cantar o refrão.

Proceda da seguinte maneira:

Cante o refrão duas vezes para a assembleia aprender a melodia;
em seguida cante as estrofes comumente;
e deixe a assembleia cantar o refrão.

Espero ter ajudado um pouco sobre esta maravilha que é cantar o salmo.

Kelly Cristine disse...

Na minha paroquia o padre so permite cantar o salmo do cd. É errado colocar melodia no salmo, já que tenho esse dom?

beatriz disse...

Por favor me ajude. Na minha paroquia a equipe de liturgia impõe que o salmista fique sentado no banco dos leitores e nunca junto ao coral. me disseram que o salmista não pode fazer duas coisas na missa, ou seja, cantar o salmo saindo deste grupo de canto para o presbitério e voltar para o coral continuar cantando a missa. Isto esta errado?

Contato: Rogério Bucci disse...

Oi Beatriz!
Sua paroquia está correta, o salmista é um leitor que canta, você está proclamando a palavra de Deus, você está emprestando sua voz a Ele, por isso deve ser feito do Ambão e você deve ficar junto com os leitores. Neste dia você atua somente como salmista.
Espero ter ajudado.

Contato: Rogério Bucci disse...

Olá Kelly.
O salmo tem uma forma e estrutura própria na hora de se compor, os versos são recitativos livres, o tom tem que ser mediano, onde toda a assembleia consiga cantar, creio eu que seu padre está certo, é melhor você canta-lo como está no CD, mas não é permitido por o cd pra tocar, deve ser feito por um cantor/salmista ao vivo.
Quem compos as melodias estudou musica mistagogica e composição liturgica, então foi preparado para tal.

Espero ter ajudado, abraço.

Contato: Rogério Bucci disse...

Olá Kelly.
O salmo tem uma forma e estrutura própria na hora de se compor, os versos são recitativos livres, o tom tem que ser mediano, onde toda a assembleia consiga cantar, creio eu que seu padre está certo, é melhor você canta-lo como está no CD, mas não é permitido por o cd pra tocar, deve ser feito por um cantor/salmista ao vivo.
Quem compos as melodias estudou musica mistagogica e composição liturgica, então foi preparado para tal.

Espero ter ajudado, abraço.

Contato: Rogério Bucci disse...

Oi Beatriz!
Sua paroquia está correta, o salmista é um leitor que canta, você está proclamando a palavra de Deus, você está emprestando sua voz a Ele, por isso deve ser feito do Ambão e você deve ficar junto com os leitores. Neste dia você atua somente como salmista.
Espero ter ajudado.

Éric Santos disse...

Saudações! Na Introdução Geral do Missal Romano, nº 61, diz que "Convém que o salmo responsorial seja cantado, pelo menos no que se refere à resposta do povo. O salmista ou cantor do salmo, do ambão ou de outro sítio conveniente, recita os versículos do salmo". Eu entendo que se dê preferência ao ambão. Mas por motivos pastorais, se for conveniente, que se proclame - lendo ou cantando - de outro lugar (do coro, por exemplo). Na Liturgia, é bom que se evite o "pode" e o "não pode" e se troque por "ajuda a celebrar melhor" e "não ajuda a celebrar adequadamente". Espero ter ajudado.

Fernanda Bulhões Gomes Guerra disse...

O salmista pode ser alguém do Ministério de Música que esteja responsável pela Missa ou tem que ser outra pessoa sem ser do Ministério de Música? Obrigada

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